{"id":2499,"date":"2026-07-27T00:31:07","date_gmt":"2026-07-27T03:31:07","guid":{"rendered":"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/?p=2499"},"modified":"2026-07-27T00:35:22","modified_gmt":"2026-07-27T03:35:22","slug":"reincidencia-criminal-como-ela-influencia-a-pena-e-quais-sao-as-consequencias-previstas-no-codigo-penal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/reincidencia-criminal-como-ela-influencia-a-pena-e-quais-sao-as-consequencias-previstas-no-codigo-penal\/","title":{"rendered":"Reincid\u00eancia criminal: como ela influencia a pena e quais s\u00e3o as consequ\u00eancias previstas no C\u00f3digo Penal"},"content":{"rendered":"\n<p>A reincid\u00eancia criminal \u00e9 um dos institutos mais importantes do Direito Penal brasileiro e, ao mesmo tempo, um dos mais cercados de d\u00favidas. \u00c9 comum ouvir afirma\u00e7\u00f5es de que qualquer pessoa que j\u00e1 tenha sido condenada ser\u00e1 considerada reincidente para sempre ou que uma condena\u00e7\u00e3o anterior automaticamente aumenta qualquer pena futura. Essas ideias, entretanto, n\u00e3o correspondem ao que estabelece a legisla\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo Penal disciplina de forma espec\u00edfica quando uma pessoa pode ser considerada reincidente, quais requisitos devem estar presentes e quais s\u00e3o os efeitos dessa condi\u00e7\u00e3o durante a aplica\u00e7\u00e3o da pena. Al\u00e9m disso, a jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) tem papel fundamental na interpreta\u00e7\u00e3o dessas regras, especialmente quanto aos limites da reincid\u00eancia e sua influ\u00eancia na dosimetria da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>Compreender esse tema \u00e9 essencial n\u00e3o apenas para quem responde a uma investiga\u00e7\u00e3o ou processo criminal, mas tamb\u00e9m para qualquer cidad\u00e3o interessado em entender como funciona o sistema penal brasileiro. Afinal, a reincid\u00eancia pode influenciar diversos aspectos do processo penal, desde o c\u00e1lculo da pena at\u00e9 a concess\u00e3o de determinados benef\u00edcios previstos em lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo, ser\u00e3o analisados o conceito de reincid\u00eancia criminal, sua diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos maus antecedentes, os requisitos previstos no C\u00f3digo Penal, a forma como influencia a aplica\u00e7\u00e3o da pena e os principais entendimentos dos tribunais superiores sobre o assunto.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 reincid\u00eancia criminal?<\/h1>\n\n\n\n<p>A reincid\u00eancia \u00e9 uma circunst\u00e2ncia jur\u00eddica prevista no <strong>artigo 63 do C\u00f3digo Penal<\/strong>, segundo o qual:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Verifica-se a reincid\u00eancia quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a senten\u00e7a que, no Pa\u00eds ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, a reincid\u00eancia ocorre quando uma pessoa j\u00e1 possui uma condena\u00e7\u00e3o criminal definitiva e, posteriormente, pratica outro crime.<\/p>\n\n\n\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o exige alguns requisitos espec\u00edficos para que essa condi\u00e7\u00e3o seja reconhecida, n\u00e3o bastando a simples exist\u00eancia de uma investiga\u00e7\u00e3o policial ou de um processo criminal em andamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse detalhe \u00e9 importante porque muitas pessoas confundem inqu\u00e9ritos policiais, den\u00fancias e condena\u00e7\u00f5es ainda recorr\u00edveis com reincid\u00eancia, embora essas situa\u00e7\u00f5es possuam consequ\u00eancias jur\u00eddicas completamente diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A reincid\u00eancia \u00e9 considerada uma <strong>circunst\u00e2ncia agravante da pena<\/strong>, prevista tamb\u00e9m no <strong>artigo 61, inciso I, do C\u00f3digo Penal<\/strong>, podendo influenciar diretamente a dosimetria realizada pelo juiz durante a senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o os requisitos para existir reincid\u00eancia?<\/h1>\n\n\n\n<p>A reincid\u00eancia n\u00e3o decorre automaticamente da exist\u00eancia de qualquer processo criminal.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que ela seja reconhecida, a legisla\u00e7\u00e3o exige o preenchimento de requisitos cumulativos.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro deles \u00e9 a exist\u00eancia de uma <strong>condena\u00e7\u00e3o criminal definitiva<\/strong>, ou seja, uma decis\u00e3o que tenha transitado em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto ainda houver possibilidade de recurso, n\u00e3o existe reincid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse entendimento decorre diretamente do princ\u00edpio constitucional da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia, previsto no <strong>artigo 5\u00ba, inciso LVII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong>, segundo o qual ningu\u00e9m ser\u00e1 considerado culpado at\u00e9 o tr\u00e2nsito em julgado de senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo requisito consiste na pr\u00e1tica de um novo crime ap\u00f3s essa condena\u00e7\u00e3o definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente essa sucess\u00e3o temporal que caracteriza a reincid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o segundo fato criminoso ocorreu antes do tr\u00e2nsito em julgado da primeira condena\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haver\u00e1 reincid\u00eancia, ainda que ambas as condena\u00e7\u00f5es se tornem definitivas posteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p>A ordem cronol\u00f3gica dos acontecimentos possui import\u00e2ncia fundamental para a correta aplica\u00e7\u00e3o do instituto.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Processo criminal em andamento gera reincid\u00eancia?<\/h1>\n\n\n\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 um dos equ\u00edvocos mais frequentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A exist\u00eancia de investiga\u00e7\u00e3o policial, inqu\u00e9rito, den\u00fancia recebida ou a\u00e7\u00e3o penal em andamento n\u00e3o torna uma pessoa reincidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, condena\u00e7\u00f5es que ainda estejam sujeitas a recursos tamb\u00e9m n\u00e3o autorizam o reconhecimento da reincid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse entendimento est\u00e1 em plena sintonia com o princ\u00edpio constitucional da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia e encontra respaldo consolidado na jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, somente uma condena\u00e7\u00e3o definitiva pode servir como fundamento para caracterizar a reincid\u00eancia criminal.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Ter antecedentes criminais significa ser reincidente?<\/h1>\n\n\n\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os dois conceitos estejam relacionados ao hist\u00f3rico criminal do indiv\u00edduo, eles possuem natureza jur\u00eddica distinta e produzem efeitos diferentes no processo penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Os <strong>antecedentes criminais<\/strong> representam o hist\u00f3rico judicial da pessoa e podem ser analisados pelo magistrado durante a fixa\u00e7\u00e3o da pena-base, conforme prev\u00ea o artigo 59 do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a <strong>reincid\u00eancia<\/strong> possui disciplina pr\u00f3pria, depende dos requisitos espec\u00edficos previstos nos artigos 63 e 64 do C\u00f3digo Penal e atua como circunst\u00e2ncia agravante na segunda fase da dosimetria da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, uma pessoa pode possuir antecedentes criminais sem ser considerada reincidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m pode ocorrer a situa\u00e7\u00e3o inversa, em que determinada condena\u00e7\u00e3o seja suficiente para caracterizar a reincid\u00eancia, produzindo efeitos pr\u00f3prios previstos na legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa raz\u00e3o, utilizar essas express\u00f5es como sin\u00f4nimos constitui um erro jur\u00eddico bastante comum.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Toda condena\u00e7\u00e3o gera reincid\u00eancia?<\/h1>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da exig\u00eancia do tr\u00e2nsito em julgado, a legisla\u00e7\u00e3o estabelece outro limite importante.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>artigo 64, inciso I, do C\u00f3digo Penal<\/strong> determina que, para efeito de reincid\u00eancia, n\u00e3o prevalece a condena\u00e7\u00e3o anterior quando, entre a data do cumprimento ou da extin\u00e7\u00e3o da pena e a pr\u00e1tica da nova infra\u00e7\u00e3o, decorrer per\u00edodo superior a <strong>cinco anos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse prazo \u00e9 conhecido na pr\u00e1tica como <strong>per\u00edodo depurador da reincid\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que a reincid\u00eancia n\u00e3o possui dura\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o intervalo previsto na lei for ultrapassado, aquela condena\u00e7\u00e3o anterior deixa de produzir efeitos especificamente para caracterizar a reincid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o significa, entretanto, que a condena\u00e7\u00e3o desapare\u00e7a do hist\u00f3rico judicial ou que deixe de produzir quaisquer efeitos jur\u00eddicos.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise sobre eventual utiliza\u00e7\u00e3o dessa condena\u00e7\u00e3o para outros fins depende da legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel e da interpreta\u00e7\u00e3o consolidada pelos tribunais superiores.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">A reincid\u00eancia vale para qualquer tipo de crime?<\/h1>\n\n\n\n<p>Em regra, a reincid\u00eancia pode ocorrer quando uma pessoa, ap\u00f3s condena\u00e7\u00e3o definitiva por crime, pratica novo crime.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o C\u00f3digo Penal tamb\u00e9m disciplina a rela\u00e7\u00e3o entre crimes e contraven\u00e7\u00f5es penais, exigindo aten\u00e7\u00e3o \u00e0s regras espec\u00edficas previstas na legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, determinadas situa\u00e7\u00f5es exigem an\u00e1lise individualizada, considerando a natureza da infra\u00e7\u00e3o anterior, a legisla\u00e7\u00e3o especial eventualmente aplic\u00e1vel e os entendimentos jurisprudenciais constru\u00eddos pelo STF e pelo STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>Por esse motivo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar que qualquer condena\u00e7\u00e3o produzir\u00e1 automaticamente os mesmos efeitos em todos os casos.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Como a reincid\u00eancia influencia a pena?<\/h1>\n\n\n\n<p>Uma vez reconhecida a reincid\u00eancia, ela passa a produzir efeitos concretos na aplica\u00e7\u00e3o da pena. Contudo, diferentemente do que muitas pessoas imaginam, <strong>a reincid\u00eancia n\u00e3o possui um percentual fixo de aumento da pena<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo Penal apenas estabelece que ela constitui uma <strong>circunst\u00e2ncia agravante<\/strong>, cabendo ao magistrado avaliar sua influ\u00eancia durante a dosimetria, observando os princ\u00edpios da proporcionalidade, da individualiza\u00e7\u00e3o da pena e a fundamenta\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que n\u00e3o existe uma regra legal determinando, por exemplo, que a pena aumentar\u00e1 em um sexto, um ter\u00e7o ou metade exclusivamente em raz\u00e3o da reincid\u00eancia. O aumento depender\u00e1 das circunst\u00e2ncias do caso concreto e da fundamenta\u00e7\u00e3o adotada pelo juiz.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Em qual fase da dosimetria a reincid\u00eancia \u00e9 analisada?<\/h1>\n\n\n\n<p>Para compreender os efeitos da reincid\u00eancia, \u00e9 importante entender como funciona a fixa\u00e7\u00e3o da pena no Direito Penal brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo Penal adota o chamado <strong>sistema trif\u00e1sico de aplica\u00e7\u00e3o da pena<\/strong>, previsto no artigo 68.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Primeira fase<\/h3>\n\n\n\n<p>O juiz fixa a pena-base considerando as circunst\u00e2ncias judiciais previstas no artigo 59 do C\u00f3digo Penal, como:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>culpabilidade;<\/li>\n\n\n\n<li>antecedentes;<\/li>\n\n\n\n<li>conduta social;<\/li>\n\n\n\n<li>personalidade do agente;<\/li>\n\n\n\n<li>motivos do crime;<\/li>\n\n\n\n<li>circunst\u00e2ncias do crime;<\/li>\n\n\n\n<li>consequ\u00eancias da infra\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>comportamento da v\u00edtima.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Nesta etapa, a reincid\u00eancia ainda n\u00e3o \u00e9 considerada, pois possui tratamento jur\u00eddico pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Segunda fase<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente nesta etapa que a reincid\u00eancia exerce seus principais efeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui o magistrado analisa as <strong>circunst\u00e2ncias agravantes e atenuantes<\/strong>, previstas nos artigos 61 a 66 do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>A reincid\u00eancia aparece expressamente no <strong>artigo 61, inciso I<\/strong>, como circunst\u00e2ncia agravante.<\/p>\n\n\n\n<p>Se reconhecida, poder\u00e1 elevar a pena anteriormente fixada na primeira fase.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Terceira fase<\/h3>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima etapa s\u00e3o analisadas as causas de aumento e de diminui\u00e7\u00e3o de pena previstas em leis espec\u00edficas ou na parte especial do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>A reincid\u00eancia, portanto, n\u00e3o atua nessa fase.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">A reincid\u00eancia aumenta automaticamente a pena?<\/h1>\n\n\n\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 um dos maiores mitos sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora seja uma circunst\u00e2ncia agravante obrigatoriamente analisada pelo magistrado, a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o estabelece um aumento matem\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o deve ser devidamente fundamentada, observando os crit\u00e9rios legais e constitucionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tribunais superiores t\u00eam reiteradamente afirmado que a individualiza\u00e7\u00e3o da pena impede aumentos autom\u00e1ticos ou arbitr\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada caso deve ser examinado conforme suas particularidades.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">A reincid\u00eancia interfere na escolha do regime inicial?<\/h1>\n\n\n\n<p>Pode interferir.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao definir o regime inicial para cumprimento da pena, o magistrado considera diversos fatores previstos no C\u00f3digo Penal, especialmente:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>quantidade da pena aplicada;<\/li>\n\n\n\n<li>circunst\u00e2ncias judiciais;<\/li>\n\n\n\n<li>reincid\u00eancia;<\/li>\n\n\n\n<li>gravidade concreta da conduta.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Por essa raz\u00e3o, uma pessoa reincidente poder\u00e1 encontrar maior dificuldade para iniciar o cumprimento da pena em regime mais brando, quando comparada a algu\u00e9m que responde pelo primeiro crime nas mesmas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, n\u00e3o existe regra absoluta.<\/p>\n\n\n\n<p>A escolha do regime depende da an\u00e1lise conjunta de todos os requisitos legais.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">A reincid\u00eancia influencia a progress\u00e3o de regime?<\/h1>\n\n\n\n<p>Sim.<\/p>\n\n\n\n<p>A reincid\u00eancia pode repercutir tamb\u00e9m na execu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal (Lei n\u00ba 7.210\/1984)<\/strong> estabelece crit\u00e9rios objetivos e subjetivos para a progress\u00e3o de regime, sendo que a condi\u00e7\u00e3o de reincidente pode alterar o percentual de pena exigido para a obten\u00e7\u00e3o desse benef\u00edcio, especialmente ap\u00f3s as altera\u00e7\u00f5es promovidas pela Lei n\u00ba 13.964\/2019 (Pacote Anticrime).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a natureza do delito \u2014 comum, hediondo ou equiparado \u2014 tamb\u00e9m influencia os requisitos para a progress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, n\u00e3o basta analisar apenas a exist\u00eancia de reincid\u00eancia; \u00e9 necess\u00e1rio verificar todo o contexto jur\u00eddico da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">A reincid\u00eancia impede benef\u00edcios penais?<\/h1>\n\n\n\n<p>Nem sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tamb\u00e9m \u00e9 um equ\u00edvoco bastante comum.<\/p>\n\n\n\n<p>A reincid\u00eancia pode dificultar ou modificar o acesso a determinados benef\u00edcios previstos na legisla\u00e7\u00e3o penal e processual penal, mas <strong>n\u00e3o impede automaticamente todos eles<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada benef\u00edcio possui requisitos pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os institutos que podem sofrer influ\u00eancia da reincid\u00eancia est\u00e3o, por exemplo:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>substitui\u00e7\u00e3o da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos;<\/li>\n\n\n\n<li>suspens\u00e3o condicional da pena (sursis);<\/li>\n\n\n\n<li>progress\u00e3o de regime;<\/li>\n\n\n\n<li>livramento condicional;<\/li>\n\n\n\n<li>alguns acordos previstos na legisla\u00e7\u00e3o processual penal, quando cab\u00edveis.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise depende sempre do tipo de crime, da pena aplicada, da legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e das circunst\u00e2ncias individuais do condenado.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">A reincid\u00eancia pode influenciar o livramento condicional?<\/h1>\n\n\n\n<p>Sim.<\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo Penal estabelece requisitos espec\u00edficos para a concess\u00e3o do livramento condicional, levando em considera\u00e7\u00e3o fatores como:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>tempo de cumprimento da pena;<\/li>\n\n\n\n<li>comportamento durante a execu\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>repara\u00e7\u00e3o do dano, quando poss\u00edvel;<\/li>\n\n\n\n<li>reincid\u00eancia.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Em determinadas hip\u00f3teses, o condenado reincidente dever\u00e1 cumprir per\u00edodo maior da pena antes de preencher os requisitos legais para obten\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez, a resposta depende da esp\u00e9cie de reincid\u00eancia e da natureza da infra\u00e7\u00e3o praticada.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">O que dizem o STF e o STJ sobre a reincid\u00eancia?<\/h1>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia dos tribunais superiores desempenha papel essencial na interpreta\u00e7\u00e3o das regras sobre reincid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Supremo Tribunal Federal<\/strong> e o <strong>Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/strong> possuem entendimento consolidado no sentido de que a reincid\u00eancia deve ser aplicada de forma compat\u00edvel com os princ\u00edpios constitucionais da individualiza\u00e7\u00e3o da pena, da proporcionalidade e da legalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os principais entendimentos consolidados destacam-se:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>a reincid\u00eancia exige condena\u00e7\u00e3o com tr\u00e2nsito em julgado;<\/li>\n\n\n\n<li>inqu\u00e9ritos policiais e a\u00e7\u00f5es penais em andamento n\u00e3o caracterizam reincid\u00eancia;<\/li>\n\n\n\n<li>a agravante deve ser fundamentada na senten\u00e7a;<\/li>\n\n\n\n<li>n\u00e3o existe aumento autom\u00e1tico de pena em percentual fixo;<\/li>\n\n\n\n<li>a reincid\u00eancia produz efeitos pr\u00f3prios distintos dos maus antecedentes;<\/li>\n\n\n\n<li>a aplica\u00e7\u00e3o do per\u00edodo depurador previsto no artigo 64 do C\u00f3digo Penal deve ser observada.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Esses entendimentos refor\u00e7am que a reincid\u00eancia constitui instituto t\u00e9cnico, cuja aplica\u00e7\u00e3o depende da correta interpreta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o e da an\u00e1lise das circunst\u00e2ncias espec\u00edficas de cada caso.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Perguntas frequentes sobre reincid\u00eancia criminal<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quem j\u00e1 foi preso \u00e9 automaticamente reincidente?<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A pris\u00e3o, por si s\u00f3, n\u00e3o caracteriza reincid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pessoa pode ter sido presa em flagrante, responder ao processo em liberdade, ser absolvida ou ainda recorrer da condena\u00e7\u00e3o. Enquanto n\u00e3o houver condena\u00e7\u00e3o criminal com tr\u00e2nsito em julgado e o preenchimento dos requisitos previstos no artigo 63 do C\u00f3digo Penal, n\u00e3o haver\u00e1 reincid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por esse motivo, afirmar que algu\u00e9m \u00e9 reincidente apenas porque j\u00e1 foi preso constitui um equ\u00edvoco jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ter passagem pela pol\u00edcia significa ser reincidente?<\/h2>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A chamada &#8220;passagem pela pol\u00edcia&#8221; normalmente indica que houve registro de ocorr\u00eancia, investiga\u00e7\u00e3o policial ou instaura\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma dessas situa\u00e7\u00f5es \u00e9 suficiente para caracterizar a reincid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente a condena\u00e7\u00e3o criminal definitiva pode produzir esse efeito.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quem responde a v\u00e1rios processos ao mesmo tempo \u00e9 reincidente?<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o necessariamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagine uma pessoa investigada por dois crimes distintos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se ambos os fatos ocorreram antes de existir uma condena\u00e7\u00e3o definitiva, poder\u00e1 haver duas condena\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o necessariamente haver\u00e1 reincid\u00eancia entre elas.<\/p>\n\n\n\n<p>A ordem cronol\u00f3gica dos acontecimentos possui import\u00e2ncia fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo crime precisa ser praticado ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado da condena\u00e7\u00e3o anterior.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Depois de cinco anos a reincid\u00eancia desaparece?<\/h2>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo Penal estabelece, em seu artigo 64, inciso I, que a condena\u00e7\u00e3o anterior deixa de produzir efeitos para caracterizar a reincid\u00eancia quando, entre o cumprimento ou a extin\u00e7\u00e3o da pena e a pr\u00e1tica da nova infra\u00e7\u00e3o, decorrer per\u00edodo superior a cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse prazo \u00e9 conhecido como <strong>per\u00edodo depurador da reincid\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, isso n\u00e3o significa que a condena\u00e7\u00e3o anterior deixe de existir ou seja automaticamente apagada do hist\u00f3rico judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos jur\u00eddicos dessa condena\u00e7\u00e3o dependem da finalidade analisada e da interpreta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Toda condena\u00e7\u00e3o aumenta a pena de um novo crime?<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A reincid\u00eancia constitui circunst\u00e2ncia agravante prevista no artigo 61, inciso I, do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o estabelece percentual fixo de aumento.<\/p>\n\n\n\n<p>O magistrado deve fundamentar a decis\u00e3o observando as circunst\u00e2ncias do caso concreto, respeitando os princ\u00edpios da proporcionalidade, da individualiza\u00e7\u00e3o da pena e da legalidade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A reincid\u00eancia impede todos os benef\u00edcios previstos em lei?<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A condi\u00e7\u00e3o de reincidente pode influenciar diversos institutos da execu\u00e7\u00e3o penal e da aplica\u00e7\u00e3o da pena, mas n\u00e3o impede automaticamente todos os benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada hip\u00f3tese possui requisitos pr\u00f3prios previstos no C\u00f3digo Penal, na Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal e, conforme o caso, em legisla\u00e7\u00f5es especiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, \u00e9 incorreto afirmar que toda pessoa reincidente perder\u00e1 automaticamente todos os benef\u00edcios legais.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre reincid\u00eancia, maus antecedentes e primariedade?<\/h1>\n\n\n\n<p>Uma das maiores d\u00favidas no Direito Penal \u00e9 compreender a diferen\u00e7a entre <strong>primariedade<\/strong>, <strong>maus antecedentes<\/strong> e <strong>reincid\u00eancia<\/strong>. Embora esses conceitos estejam relacionados ao hist\u00f3rico criminal do acusado, eles possuem significados distintos e produzem efeitos diferentes na aplica\u00e7\u00e3o da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>Confundir esses institutos \u00e9 bastante comum, mas a legisla\u00e7\u00e3o brasileira estabelece crit\u00e9rios espec\u00edficos para cada um deles.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que significa ser r\u00e9u prim\u00e1rio?<\/h2>\n\n\n\n<p>Em regra, considera-se <strong>r\u00e9u prim\u00e1rio<\/strong> aquele que <strong>n\u00e3o possui condena\u00e7\u00e3o criminal definitiva capaz de caracterizar reincid\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser prim\u00e1rio n\u00e3o significa, necessariamente, nunca ter sido investigado ou processado.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pessoa pode ter respondido a um inqu\u00e9rito policial, ter sido denunciada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico ou at\u00e9 mesmo estar respondendo a uma a\u00e7\u00e3o penal e, ainda assim, continuar sendo considerada prim\u00e1ria enquanto n\u00e3o houver condena\u00e7\u00e3o definitiva que produza os efeitos previstos na lei.<\/p>\n\n\n\n<p>A primariedade costuma ser considerada um elemento favor\u00e1vel durante a individualiza\u00e7\u00e3o da pena e pode influenciar a an\u00e1lise de determinados benef\u00edcios previstos na legisla\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que s\u00e3o maus antecedentes?<\/h2>\n\n\n\n<p>Os <strong>maus antecedentes<\/strong> constituem uma das circunst\u00e2ncias judiciais previstas no <strong>artigo 59 do C\u00f3digo Penal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fixar a pena-base, o juiz analisa diversos elementos relacionados ao fato e \u00e0 pessoa do acusado, entre eles seus antecedentes criminais.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, antecedentes e reincid\u00eancia n\u00e3o possuem o mesmo significado.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a reincid\u00eancia depende dos requisitos espec\u00edficos dos artigos 63 e 64 do C\u00f3digo Penal, os antecedentes s\u00e3o avaliados na primeira fase da dosimetria da pena e dizem respeito ao hist\u00f3rico judicial do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o dos antecedentes tamb\u00e9m deve observar os limites estabelecidos pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal e pela jurisprud\u00eancia dos tribunais superiores, especialmente quanto \u00e0 impossibilidade de considerar inqu\u00e9ritos policiais ou a\u00e7\u00f5es penais sem condena\u00e7\u00e3o definitiva como circunst\u00e2ncia desfavor\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que caracteriza a reincid\u00eancia?<\/h2>\n\n\n\n<p>A reincid\u00eancia possui disciplina pr\u00f3pria no <strong>artigo 63 do C\u00f3digo Penal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela ocorre quando o agente pratica um novo crime <strong>ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado de condena\u00e7\u00e3o anterior<\/strong>, observadas as regras previstas no artigo 64 do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio dos antecedentes, a reincid\u00eancia atua como <strong>circunst\u00e2ncia agravante<\/strong>, sendo analisada na segunda fase da dosimetria da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, pode influenciar outros aspectos do processo e da execu\u00e7\u00e3o penal, como o regime inicial de cumprimento da pena e determinados benef\u00edcios previstos em lei.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Comparativo entre os institutos<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th>Primariedade<\/th><th>Maus antecedentes<\/th><th>Reincid\u00eancia<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>N\u00e3o possui condena\u00e7\u00e3o definitiva que caracterize reincid\u00eancia<\/td><td>Hist\u00f3rico criminal analisado na primeira fase da dosimetria<\/td><td>Novo crime praticado ap\u00f3s condena\u00e7\u00e3o definitiva anterior<\/td><\/tr><tr><td>N\u00e3o agrava automaticamente a pena<\/td><td>Pode influenciar a pena-base<\/td><td>Constitui agravante prevista no art. 61, I, do C\u00f3digo Penal<\/td><\/tr><tr><td>Pode favorecer determinados benef\u00edcios legais<\/td><td>Avaliado conforme o art. 59 do C\u00f3digo Penal<\/td><td>Produz efeitos tamb\u00e9m na execu\u00e7\u00e3o penal<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que essa diferen\u00e7a \u00e9 importante?<\/h2>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, essa distin\u00e7\u00e3o pode alterar significativamente a aplica\u00e7\u00e3o da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 relativamente comum que pessoas confundam uma condena\u00e7\u00e3o antiga com reincid\u00eancia permanente ou imaginem que qualquer investiga\u00e7\u00e3o policial seja suficiente para afastar a condi\u00e7\u00e3o de r\u00e9u prim\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses entendimentos, por\u00e9m, n\u00e3o encontram respaldo na legisla\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada instituto possui requisitos pr\u00f3prios e produz consequ\u00eancias distintas, raz\u00e3o pela qual a correta an\u00e1lise do hist\u00f3rico criminal \u00e9 indispens\u00e1vel para a aplica\u00e7\u00e3o adequada do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h1>\n\n\n\n<p>A reincid\u00eancia criminal n\u00e3o deve ser analisada de forma isolada nem confundida com outros conceitos jur\u00eddicos relacionados ao hist\u00f3rico do acusado.<\/p>\n\n\n\n<p>A correta diferencia\u00e7\u00e3o entre <strong>primariedade<\/strong>, <strong>maus antecedentes<\/strong> e <strong>reincid\u00eancia<\/strong> \u00e9 fundamental para a individualiza\u00e7\u00e3o da pena e para a observ\u00e2ncia dos princ\u00edpios constitucionais que regem o processo penal brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a interpreta\u00e7\u00e3o dessas regras exige an\u00e1lise cuidadosa da legisla\u00e7\u00e3o, da jurisprud\u00eancia consolidada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justi\u00e7a e das circunst\u00e2ncias espec\u00edficas de cada caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Por esse motivo, sempre que houver discuss\u00e3o sobre os efeitos de condena\u00e7\u00f5es anteriores, \u00e9 recomend\u00e1vel que a situa\u00e7\u00e3o seja examinada de forma t\u00e9cnica e individualizada.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Principais mitos sobre reincid\u00eancia criminal<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mito 1: Quem j\u00e1 foi preso \u00e9 reincidente.<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Errado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pris\u00e3o n\u00e3o basta para caracterizar a reincid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 indispens\u00e1vel a exist\u00eancia de condena\u00e7\u00e3o definitiva e o preenchimento dos requisitos legais.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mito 2: Toda condena\u00e7\u00e3o gera reincid\u00eancia.<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Errado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do tr\u00e2nsito em julgado, \u00e9 necess\u00e1rio que o novo crime tenha sido praticado ap\u00f3s a condena\u00e7\u00e3o definitiva e dentro do per\u00edodo previsto no artigo 64 do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mito 3: A reincid\u00eancia aumenta sempre a pena em um percentual fixo.<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Errado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o estabelece aumento autom\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>A dosimetria depende da fundamenta\u00e7\u00e3o judicial e das circunst\u00e2ncias do caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mito 4: A reincid\u00eancia dura para sempre.<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Errado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo Penal prev\u00ea limite temporal para a caracteriza\u00e7\u00e3o da reincid\u00eancia, observado o chamado per\u00edodo depurador.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mito 5: Antecedentes criminais e reincid\u00eancia significam a mesma coisa.<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Errado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o institutos jur\u00eddicos distintos, regulados por regras diferentes e que produzem efeitos pr\u00f3prios na aplica\u00e7\u00e3o da pena.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h1>\n\n\n\n<p>A reincid\u00eancia criminal constitui um dos institutos mais relevantes do Direito Penal brasileiro, produzindo efeitos importantes tanto na aplica\u00e7\u00e3o da pena quanto na execu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, sua caracteriza\u00e7\u00e3o depende do cumprimento rigoroso dos requisitos previstos na legisla\u00e7\u00e3o. N\u00e3o basta a exist\u00eancia de investiga\u00e7\u00e3o policial, processo criminal ou condena\u00e7\u00e3o ainda sujeita a recurso. O reconhecimento da reincid\u00eancia exige condena\u00e7\u00e3o definitiva anterior e a pr\u00e1tica de novo crime dentro dos limites estabelecidos pelo C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, embora a reincid\u00eancia possa influenciar a dosimetria da pena, o regime inicial de cumprimento e determinados benef\u00edcios previstos na legisla\u00e7\u00e3o, sua aplica\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorre de forma autom\u00e1tica. Cada caso deve ser analisado individualmente, observando as circunst\u00e2ncias concretas, os princ\u00edpios constitucionais e a jurisprud\u00eancia consolidada dos tribunais superiores.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante distinguir a reincid\u00eancia dos maus antecedentes. Apesar de relacionados ao hist\u00f3rico criminal do acusado, esses institutos possuem natureza jur\u00eddica diversa e repercutem em momentos distintos da fixa\u00e7\u00e3o da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da complexidade do tema, qualquer an\u00e1lise sobre os efeitos de condena\u00e7\u00f5es anteriores deve considerar n\u00e3o apenas o C\u00f3digo Penal, mas tamb\u00e9m a Constitui\u00e7\u00e3o Federal, a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal e os entendimentos do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mat\u00e9ria penal, interpreta\u00e7\u00f5es simplificadas podem conduzir a conclus\u00f5es equivocadas. Por isso, a avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de cada situa\u00e7\u00e3o concreta \u00e9 indispens\u00e1vel para assegurar a correta aplica\u00e7\u00e3o da lei e a prote\u00e7\u00e3o das garantias fundamentais previstas no ordenamento jur\u00eddico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reincid\u00eancia criminal \u00e9 um dos institutos mais importantes do Direito Penal brasileiro e, ao mesmo tempo, um dos mais cercados de d\u00favidas. \u00c9 comum ouvir afirma\u00e7\u00f5es de que qualquer pessoa que j\u00e1 tenha sido condenada ser\u00e1 considerada reincidente para sempre ou que uma condena\u00e7\u00e3o anterior automaticamente aumenta qualquer pena futura. Essas ideias, entretanto, n\u00e3o &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/reincidencia-criminal-como-ela-influencia-a-pena-e-quais-sao-as-consequencias-previstas-no-codigo-penal\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Reincid\u00eancia criminal: como ela influencia a pena e quais s\u00e3o as consequ\u00eancias previstas no C\u00f3digo Penal<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1651,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2499","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2499","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2499"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2499\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2507,"href":"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2499\/revisions\/2507"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1651"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}