{"id":2516,"date":"2026-08-13T07:57:41","date_gmt":"2026-08-13T10:57:41","guid":{"rendered":"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/?p=2516"},"modified":"2026-08-13T07:58:55","modified_gmt":"2026-08-13T10:58:55","slug":"a-vitima-pode-voltar-atras-depois-de-denunciar-entenda-quando-e-possivel-desistir-e-quais-sao-as-consequencias-juridicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/santoseurel.com\/blog\/a-vitima-pode-voltar-atras-depois-de-denunciar-entenda-quando-e-possivel-desistir-e-quais-sao-as-consequencias-juridicas\/","title":{"rendered":"A v\u00edtima pode voltar atr\u00e1s depois de denunciar? Entenda quando \u00e9 poss\u00edvel desistir e quais s\u00e3o as consequ\u00eancias jur\u00eddicas"},"content":{"rendered":"\n<p>Registrar uma ocorr\u00eancia criminal pode ser o primeiro passo para que um fato seja investigado e, eventualmente, levado \u00e0 Justi\u00e7a. Mas e quando, depois de denunciar, a v\u00edtima se arrepende, muda de ideia ou n\u00e3o deseja mais que o caso continue?<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 uma d\u00favida bastante comum, mas a resposta n\u00e3o \u00e9 simplesmente \u201csim\u201d ou \u201cn\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A possibilidade de voltar atr\u00e1s depende de diversos fatores, principalmente do <strong>tipo de crime praticado, da natureza da a\u00e7\u00e3o penal e do momento em que a v\u00edtima manifesta sua vontade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, desistir de uma den\u00fancia n\u00e3o significa, necessariamente, que o procedimento ser\u00e1 automaticamente encerrado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que significa \u201cdesistir da den\u00fancia\u201d?<\/h2>\n\n\n\n<p>Antes de tudo, \u00e9 importante diferenciar algumas situa\u00e7\u00f5es que, no cotidiano, costumam ser tratadas como se fossem a mesma coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>A v\u00edtima pode registrar um boletim de ocorr\u00eancia, prestar declara\u00e7\u00f5es \u00e0 autoridade policial, apresentar uma representa\u00e7\u00e3o ou, em determinados crimes, apresentar uma queixa-crime.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada uma dessas situa\u00e7\u00f5es possui consequ\u00eancias jur\u00eddicas diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, em muitos crimes, a persecu\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o depende exclusivamente da vontade da v\u00edtima. O Estado, por meio do Minist\u00e9rio P\u00fablico, pode ter o dever de prosseguir com a investiga\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o penal mesmo que a v\u00edtima posteriormente diga que n\u00e3o deseja mais continuar.<\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo Penal estabelece como regra que a a\u00e7\u00e3o penal \u00e9 p\u00fablica, salvo quando a pr\u00f3pria lei determinar que seja privativa do ofendido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente por isso que <strong>registrar um boletim de ocorr\u00eancia n\u00e3o significa que a v\u00edtima ter\u00e1, em qualquer situa\u00e7\u00e3o, o poder de decidir sozinha se o caso continuar\u00e1 ou n\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1. Crimes de a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica incondicionada<\/h2>\n\n\n\n<p>Nos crimes de a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica incondicionada, a atua\u00e7\u00e3o do Estado n\u00e3o depende da manifesta\u00e7\u00e3o de vontade da v\u00edtima para que o Minist\u00e9rio P\u00fablico possa promover a a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas situa\u00e7\u00f5es, mesmo que a v\u00edtima posteriormente diga que n\u00e3o quer mais prosseguir, isso n\u00e3o significa, por si s\u00f3, que a investiga\u00e7\u00e3o ou o processo ser\u00e1 encerrado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Exemplo<\/h3>\n\n\n\n<p>Imagine que uma pessoa seja v\u00edtima de determinado crime cuja a\u00e7\u00e3o penal seja p\u00fablica incondicionada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela registra a ocorr\u00eancia, apresenta as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o e, posteriormente, decide que n\u00e3o quer mais participar do caso.<\/p>\n\n\n\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o da v\u00edtima ser\u00e1 considerada pelas autoridades, mas <strong>n\u00e3o significa automaticamente que o procedimento ser\u00e1 arquivado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso acontece porque, nesses casos, a persecu\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o est\u00e1 condicionada \u00e0 vontade posterior da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2. Crimes de a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica condicionada \u00e0 representa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Existem crimes em que, embora a a\u00e7\u00e3o penal seja p\u00fablica, a lei exige a <strong>representa\u00e7\u00e3o da v\u00edtima<\/strong> para que o Minist\u00e9rio P\u00fablico possa iniciar a a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo de Processo Penal estabelece que, nos crimes de a\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a a\u00e7\u00e3o ser\u00e1 promovida por den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico, mas poder\u00e1 depender de representa\u00e7\u00e3o do ofendido quando a lei assim determinar.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses casos, existe uma diferen\u00e7a importante entre <strong>representar e se retratar da representa\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A representa\u00e7\u00e3o \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o pela qual a v\u00edtima demonstra que deseja que o Estado prossiga com a persecu\u00e7\u00e3o penal nos casos em que a lei exige essa condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a retrata\u00e7\u00e3o \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o posterior de que n\u00e3o deseja mais manter essa representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas existe um limite temporal.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo 25 do C\u00f3digo de Processo Penal determina que a representa\u00e7\u00e3o se torna <strong>irretrat\u00e1vel depois de oferecida a den\u00fancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Exemplo pr\u00e1tico<\/h3>\n\n\n\n<p>Imagine que uma v\u00edtima tenha praticado a representa\u00e7\u00e3o em um crime cuja a\u00e7\u00e3o penal dependa dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de o Minist\u00e9rio P\u00fablico oferecer a den\u00fancia, ela manifesta formalmente que deseja se retratar.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a retrata\u00e7\u00e3o pode ser juridicamente relevante.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, se a den\u00fancia j\u00e1 tiver sido oferecida, a v\u00edtima n\u00e3o poder\u00e1 simplesmente retirar a representa\u00e7\u00e3o e, com isso, impedir o prosseguimento da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, <strong>o momento em que a v\u00edtima decide voltar atr\u00e1s pode ser determinante<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">3. E nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica?<\/h2>\n\n\n\n<p>Aqui existe uma regra espec\u00edfica e que merece aten\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos crimes praticados no contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, a Lei Maria da Penha estabelece procedimento pr\u00f3prio para a retrata\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o nos casos em que ela \u00e9 juridicamente poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>E essa regra sofreu uma altera\u00e7\u00e3o importante em 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n\u00ba 15.380\/2026 modificou o artigo 16 da Lei Maria da Penha para estabelecer que a audi\u00eancia de retrata\u00e7\u00e3o somente ser\u00e1 realizada mediante manifesta\u00e7\u00e3o expressa da v\u00edtima, apresentada antes do recebimento da den\u00fancia. A finalidade dessa audi\u00eancia \u00e9 <strong>confirmar a retrata\u00e7\u00e3o<\/strong>, e n\u00e3o a representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que n\u00e3o basta simplesmente dizer, de maneira informal, que \u201cn\u00e3o quer mais continuar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o deve observar o procedimento previsto em lei.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Exemplo<\/h3>\n\n\n\n<p>Uma mulher registra ocorr\u00eancia em raz\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica e manifesta representa\u00e7\u00e3o em um crime que depende dessa condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, antes do recebimento da den\u00fancia, ela manifesta expressamente que deseja se retratar.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse caso, poder\u00e1 ser realizada a audi\u00eancia prevista no artigo 16 da Lei Maria da Penha, desde que preenchidos os requisitos legais.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente, entretanto, quando se trata de crime cuja a\u00e7\u00e3o penal \u00e9 p\u00fablica incondicionada. Nesses casos, a vontade posterior da v\u00edtima n\u00e3o transforma automaticamente a natureza da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, <strong>n\u00e3o \u00e9 correto afirmar que toda v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica pode simplesmente retirar a den\u00fancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">4. E se a v\u00edtima estiver sendo pressionada?<\/h2>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o especialmente delicada.<\/p>\n\n\n\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, por exemplo, a mudan\u00e7a de posicionamento da v\u00edtima pode ocorrer por diversos motivos: medo, depend\u00eancia econ\u00f4mica, press\u00e3o familiar, amea\u00e7a ou tentativa de preservar a rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o procedimento previsto na Lei Maria da Penha busca garantir que eventual retrata\u00e7\u00e3o seja manifestada de maneira formal e consciente.<\/p>\n\n\n\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o atual determina que a audi\u00eancia seja designada pelo juiz mediante manifesta\u00e7\u00e3o expressa da v\u00edtima de que deseja se retratar, apresentada por escrito ou oralmente antes do recebimento da den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a retrata\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser tratada como um simples \u201ccancelamento\u201d do boletim de ocorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">5. E quando se trata de a\u00e7\u00e3o penal privada?<\/h2>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m existem crimes em que a a\u00e7\u00e3o penal \u00e9 de iniciativa privada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas situa\u00e7\u00f5es, a pr\u00f3pria v\u00edtima, ou quem tenha legitimidade para represent\u00e1-la, exerce papel diferente daquele existente nas a\u00e7\u00f5es penais p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo de Processo Penal estabelece que, nos crimes de a\u00e7\u00e3o privada, cabe ao ofendido ou a quem tenha qualidade para represent\u00e1-lo iniciar a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses casos, existem institutos espec\u00edficos, como <strong>ren\u00fancia, perd\u00e3o do ofendido e peremp\u00e7\u00e3o<\/strong>, cada um com requisitos e consequ\u00eancias pr\u00f3prias.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, novamente, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel tratar toda \u201cdesist\u00eancia\u201d da mesma maneira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">6. Boletim de ocorr\u00eancia pode ser simplesmente apagado?<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Registrar um boletim de ocorr\u00eancia n\u00e3o significa que a pessoa possa posteriormente simplesmente apagar o registro.<\/p>\n\n\n\n<p>O que pode acontecer, dependendo do crime e da fase do procedimento, \u00e9 a v\u00edtima manifestar uma vontade juridicamente relevante, como a retrata\u00e7\u00e3o de uma representa\u00e7\u00e3o quando a lei permitir.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso n\u00e3o significa que o registro policial deixe de existir ou que todos os atos realizados at\u00e9 aquele momento sejam automaticamente desfeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, se a autoridade policial ou o Minist\u00e9rio P\u00fablico tiver conhecimento de elementos que indiquem a ocorr\u00eancia de um crime cuja a\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o dependa da vontade da v\u00edtima, o procedimento poder\u00e1 prosseguir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">7. Existe prazo para representar?<\/h2>\n\n\n\n<p>Sim.<\/p>\n\n\n\n<p>O direito de representa\u00e7\u00e3o e o direito de queixa est\u00e3o sujeitos a prazo decadencial, salvo disposi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo de Processo Penal prev\u00ea, como regra geral, prazo de seis meses contado do momento em que a v\u00edtima toma conhecimento de quem \u00e9 o autor do crime.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, houve uma mudan\u00e7a legislativa recente especificamente para os crimes praticados no \u00e2mbito da viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n\u00ba 15.438\/2026 passou a prever prazo de <strong>12 meses<\/strong> para o exerc\u00edcio do direito de queixa ou representa\u00e7\u00e3o nesses casos, contado da ci\u00eancia da autoria, nas hip\u00f3teses previstas em lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 um exemplo de como o Direito Penal e o Processo Penal est\u00e3o sujeitos a altera\u00e7\u00f5es legislativas que podem modificar prazos e procedimentos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">8. \u201cSe eu retirar a den\u00fancia, o acusado fica livre?\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o necessariamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 outra confus\u00e3o bastante comum.<\/p>\n\n\n\n<p>A eventual retrata\u00e7\u00e3o da v\u00edtima, quando juridicamente poss\u00edvel, n\u00e3o significa automaticamente que o investigado ou acusado ser\u00e1 absolvido ou que todas as medidas existentes contra ele ser\u00e3o imediatamente encerradas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso analisar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>qual foi o crime;<\/li>\n\n\n\n<li>qual \u00e9 a natureza da a\u00e7\u00e3o penal;<\/li>\n\n\n\n<li>se houve representa\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>em que momento processual o caso est\u00e1;<\/li>\n\n\n\n<li>se a den\u00fancia j\u00e1 foi oferecida ou recebida;<\/li>\n\n\n\n<li>se existem outros elementos de prova;<\/li>\n\n\n\n<li>e quais medidas judiciais est\u00e3o em vigor.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Cada situa\u00e7\u00e3o precisa ser analisada individualmente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">9. Por que o momento processual \u00e9 t\u00e3o importante?<\/h2>\n\n\n\n<p>Porque a manifesta\u00e7\u00e3o da v\u00edtima pode produzir efeitos diferentes conforme a fase em que o procedimento se encontra.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pessoa pode estar apenas diante de um boletim de ocorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, pode existir um inqu\u00e9rito policial.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, o Minist\u00e9rio P\u00fablico pode oferecer uma den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, essa den\u00fancia pode ser recebida pelo Poder Judici\u00e1rio e o processo criminal efetivamente se desenvolver.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma manifesta\u00e7\u00e3o feita em momentos diferentes pode ter consequ\u00eancias jur\u00eddicas completamente distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da representa\u00e7\u00e3o, por exemplo, o C\u00f3digo de Processo Penal estabelece expressamente que ela se torna irretrat\u00e1vel depois de oferecida a den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A resposta para a pergunta <strong>\u201ca v\u00edtima pode voltar atr\u00e1s depois de denunciar?\u201d<\/strong> \u00e9: <strong>depende<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existe uma regra \u00fanica aplic\u00e1vel a todos os crimes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em alguns casos, a v\u00edtima pode se retratar da representa\u00e7\u00e3o, desde que respeitados os requisitos e o momento processual previstos em lei. Em outros, a vontade posterior da v\u00edtima n\u00e3o impede o prosseguimento da persecu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, existem regras espec\u00edficas e, desde 2026, altera\u00e7\u00f5es importantes no procedimento de retrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, antes de concluir que \u201cbasta retirar a den\u00fancia\u201d, \u00e9 fundamental identificar <strong>qual crime foi praticado, qual \u00e9 a natureza da a\u00e7\u00e3o penal e em que etapa o caso se encontra<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mat\u00e9ria criminal, uma decis\u00e3o tomada sem orienta\u00e7\u00e3o adequada pode produzir consequ\u00eancias que n\u00e3o s\u00e3o imediatamente percept\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea est\u00e1 envolvido em uma situa\u00e7\u00e3o dessa natureza, procure orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica individualizada para compreender quais s\u00e3o os seus direitos, possibilidades e pr\u00f3ximos passos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Registrar uma ocorr\u00eancia criminal pode ser o primeiro passo para que um fato seja investigado e, eventualmente, levado \u00e0 Justi\u00e7a. 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